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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Corações Desimpedidos - CAP. 06

Assim que Daniel acabou de falar com seu irmão no telefone, seus pensamentos pareciam emaranhados de idéias, pois ficou aficcionado de poder fazer alguma coisa naquela história, mas ajudar Giselle, impressioná-la e tentar chamar mais a sua atenção. Daniel não podia resistir mais; estava apaixonado por ela e ele não podia deixar de passar aquela oportunidade de fazer alguma coisa também. Só deveria esperar mais um pouco até que seu irmão fizesse o que ele estava pedindo. Daí por diante não podia mais ficar tranqüilo dentro do ambiente de trabalho e começou a ficar inquieto. Quando foi levar alguns papéis para Doroth que estava substituindo os serviços de sua amada sua fisionomia não parecia ser a mesma e Doroth percebeu isso, ao examinar uns documentos que entregou a ela. Enquanto ele se servia de café numa bandeja disposta numa mesa ao lado Doroth examinava os documentos para dar o aval._ Olha, Daniel tem algumas pautas
a preencher aqui e além do mais você esqueceu de assinar esses dois documentos.
Daniel pegou os papeis um tanto sem jeito e isso o constrangeu
pois nunca acontecera antes desde que ele começou a trabalhar na empresa.
_Olha Doroth, _ disse ele tentando se desculpar
_ eu não sei como me distrair assim.
Me desculpa! Eu posso voltar a minha mesa e corrigir tudo agora mesmo.
_ Daniel _ Doroth olhou bem pro rosto dele e viu que ele estava ruborizado
e vermelho, mas sabia que não era de vergonha pelo erro no serviço que lhe
entregara, mas ele estava preocupado – eu acho melhor deixar prá lá e
fazer tudo de novo pelo menos esses quando você tiver legal e mais calmo.
_ O que você quer dizer? – perguntou ele surpreso.
_ Ora Daniel, -disse Doroth com um pequeno sorriso ao canto dos lábios -
dá prá perceber o quanto você ficou inquieto com essa história da Grace e que está
atingindo a Giselle.
Daniel apertou os lábios e seus olhos se apertaram olhando para Doroth.
Ela acertara em cheio.
_sei que não só que ela está fazendo falta aqui não só para empresa,
mas parece muito mais pra você.
_ Doroth, é melhor eu voltar pra minha mesa e terminar outras coisas.
Me dê aqui esses papeis que eu vou corrigir agora.
Daniel ia tomar os papeis das mãos de Doroth novamente, mas ela segura
os maços de papéis propositadamente como que tentando impedir de Daniel
levar de volta, mas com um vago sorriso no rosto. Mas foi a forma de
deter o rapaz mais um pouco e falar olhando bem nos olhos dele:
_ Como eu te falei antes eu sei que você ta gostando de minha amiga
de verdade e sei o quanto ela ta fazendo falta aqui e o
quanto essa história toda o incomodou e você está preocupado com ela.
_ Sem ela aqui parece que não tem sentido nada por aqui. Sim, eu confesso.
E a você que é a melhor amiga dela.
_ Pois então como melhor amiga dela e já que você reconhece isso,
quero te pedir mais uma vez se é que eu já pedi antes: Por favor,
se alguma coisa acontecer entre vocês, eu te peço que não
decepcione a minha melhor amiga.
_ E porque você está falando assim?
_Eu mais do que ninguém e até você mesmo, sabe o quanto
ela sofreu e teve decepções. Daniel começou a divagar em seus pensamentos
ali e começara a compreender a dureza de Giselle com ele.
_ Mas o que aconteceu antes?
_ Isso eu não posso falar. Giselle é a minha melhor amiga e eu só quero ver
a felicidade dela. - essa última palavra Doroth disse como que um
últimatum, e soltou os papeis nas mãos de Daniel olhando ainda prá ele.
_ È melhor eu voltar prá minha mesa.
_ Já disse que você pode fazer isso depois. Relaxa cara e vai fazer o que o seu
coração ta pedindo, já disse. Giselle ta precisando de alguém. E de alguém que
a ame de verdade, e principalmente nessa hora tão complicada prá ela.
O rosto de Daniel se iluminou aos poucos e um sorriso se desbotou de
seus lábios olhando prá Doroth.
Se afastou de costas aos poucos e quando ia se virar para
seguir para sua mesa esbarrou num colega comicamente. Doroth deu uma
risadinha de deboche, mas sabia o quanto Daniel estava sendo sincero.
_ Foi mal, brother, desculpa ai... – o rapaz se desculpava um tanto sem jeito
para o colega que não ligou muito, mas seu coração batia acelerado de
felicidade, pois tinha certeza agora que tinha uma aliada na sua
conquista de Giselle.
_ Daniel! – Doroth o chamou pela última vez o que fez Daniel se virar
prá ela mais uma vez surpreso.
_Só queria te dizer uma última coisa: Só quero te dizer que aconteça
o que acontecer, eu... Eu torço por vocês dois.
Daniel vibrou dentro de si e não se continha de felicidade.

*
Giselle aproveitou que ficou em casa e que  o pessoal ficaram mobilizados
quantoao paradeiro de Grace e resolveu botar o apartamento em ordem um
pouco,mas estava preocupada.
Acreditava que fazendo aquela atividade poderia se distrair um pouco e não
deixar se envolver demais com a preocupação com sua amiga.
O celular estava na posição estratégica pra pegar sinal no caso de
eventual telefonema de noticias de Grace.
O telefone móvel também estava consigo o
tempo todo no caso se tocasse ela atendesse imediatamente.
Mas sua preocupação era tanta e ela começou a se
sentir sozinha naquele apartamento.
Sabia que todos estavam mobilizados e ela não podia
fazer nada no momento. No momento que ela estava tentando arrumar
uns papeis na estante que estava dentro de uns livros, os objetos caíram
no tapete no chão. Giselle desceu do banquinho
imediatamente para catar os papéis que caíram e...
Foi inevitável:

No fim do expediente, Gizelle organiza suas coisas para sair quando
Daniel entra no escritório.
_Você não foi ainda? Pensei que tinha ido. –disse Gizelle
_ Eu... vim terminar uma coisa que deixei de fazer logo cedo! 
diz Daniel convicto de seus sentimentos
e beijando Gizelle nos lábios ardentemente.

Aquela cena naquele dia quando dos primeiros momentos em que
começara a trabalhar com Daniel veio á sua mente.
“Ora, isso não é hora de pensar nisso, numa hora tão difícil como essa” _
Giselle tentou afastar aquelas lembranças de seu pensamento_
“você só pode estar louca, Giselle!”
Giselle catou os papéis no tapete, mas ela nem mesma percebera que
suas mãos estavam trêmulas e suadas a ponto de manchar os papéis
com umas pontas de suor de seus dedos.
Realmente se sentira nervosa com
aqueles pensamentos que teimava invadi-la:

Gisele se afasta de Daniel rapidamente e dá um tapa no seu rosto.
_por que fez isso? E justamente no local onde trabalhamos?
_desculpa, Gisele mas eu não consegui resistir. _diz Daniel.
_você foi longe demais. Não devia ter feito isso.

Quando ela se levantou com os papéis nas mãos já que devia por de
volta na estante, ela parou um pouco e veio novamente àquele momento
em que ela estava diante de Daniel naquela vez lá na empresa e:

_espera ae, Gisele! Sei que você gostou desse beijo. Por que não admite que também e
está sentindo
algo por mim?
_o quê? Como você pode ter coragem de falar uma coisa dessas?
Eu não sinto nada por você.
_não é o que os seus olhos dizem Gisele. Sei que você gosta de mim só não tem
coragem de assumir isso.

Giselle fechou os olhos e seu rosto parecia brotar gotículas de suor ante
os olhos fechados com aquele pensamento.
“Como posso pensar tal coisa” – Ela brigava com seus pensamentos:

_Daniel, vá embora! Acabou o expediente e acho melhor pararmos por aqui ou...
_ou vai dizer para o Sr. Otávio que eu a beijei a força  nesta sala.

Será?
Será que a despeito de toda a sua insistência e a repulsa de Giselle de
abrir o seu coração e dar espaço a mais alguém, ela estava gostando
de Daniel? Ela perguntava a si mesma. Seus pensamentos eram de
nojo de toda as lembranças daqueles momentos ou aquilo tudo estava
fazendo falta prá ela? Os gestos de Daniel e sua ousadia com ela naqueles
últimos dias?
Só tinha uma maneira, o que lhe ocorreu de pensamento relâmpago
de acabar com aquilo e não passar por sobressaltos daquelas
lembranças em seus pensamentos.
_sim! Eu vou dizer sim, Daniel! Eu vou dizer que você entrou por aquela porta e...
_e o quê Gisele? _diz Daniel, se aproximando de novo.
Gisele não consegue dizer mais nada e o beija outra vez nos lábios.
O tormento continuava. Até que ela abriu os olhos deu um sobressalto
sacudindo um pouco a cabecinha e pensou friamente:
_Só tem um jeito de acabar com isso. È demitindo aquele abusado!
    Mas daí a ter a coragem de fazer isso com o rapaz, colocá-lo
fora da empresa por motivos escusos e não óbvios não era justo – pensava ela.
E além de tudo ela já começava a sentir que não conseguiria ficar longe dele
nem mais um instante.
Mas como fazer para esquecê-lo por aquele momento.
Foi aí que a campainha da porta tocou.
*
Alda e Emiliano estavam transtornados com o rumo que a história estava tomando quanto ao desaparecimento de Grace, mas por enquanto não formaram queixa oficial na polícia devido às 48 horas obrigatória que as autoridades impunham depois que as pessoas desapareciam.
Mas mesmo com a situação delicada que estavam passando ainda assim não paravam de se digladiarem.
_ E agora? Que você pretende fazer depois que acabar tudo isso? _ perguntou Alda na mesa de jantar diante do marido um tanto consternado.
_Vamos esperar, Alda. Se até amanha não aparecer nenhuma noticia vamos oficiar a queixa na delegacia e tomar medidas mais...
_ Eu não to falando disso, Emiliano! _ interrompeu Alda irritada. _ Eu confio nos rapazes e nas meninas, principalmente na Giselle que vai acabar tudo bem e logo nossa filha vai entrar por estas portas se Deus quiser.
_ Mas do que você está falando então?! O que é mais preocupante p você do que o sumiço de nossa filha?
_ Eu quero saber quando a nossa filha voltar pra casa se nossa situação vai ficar a mesma.
_ Ora Alda- Emiliano deu um salto da mesa irritado e jogando o guardanapo pro lado. _ que quê há com você. Num momento como esse você vem falar de nossa relação?
_ Claro, é toda a causa da confusão de nossa filha e você sabe disso. Você sabe como os acontecimentos aqui em casa e entre a gente tem deixado nossa filha insegura. Isso tem que ter um fim.
Emiliano se vira para Alda e se aproxima devagar de novo.
_ O que você quer dizer? Você quer acabar com tudo definitivamente é isso?
Alda se levanta e olha para Emiliano pronto para dizer umas palavras para ele.
Emiliano fica olhando para Alda com expectativa.
Quando Giselle abre a porta seu coração dispara...
Mas de ansiedade, pois era Zeca que estava chegando e esperava dele alguma novidade já que ele e os outros estavam mobilizados por causa de sua procura por Grace.
_ Oi Zeca. Que legal você ter vindo. Eu estou tão ansiosa aqui por novidades e ninguém ligou até agora. Entra. E ai?
Giselle ficou tão afoita que nem fechou a porta e ficou entreaberta. Ela puxou o braço de Zeca e o trouxe mais pro meio da sala.
_ E então? _ perguntou Giselle ansiosa.
Zeca olhava nos olhos de Giselle e não veio trazer só as últimas novidades. Ele vinham num propósito que já tinha a muito tempo e achava que aquele era o momento.
_ Eu, quer dizer, nós ficamos sabendo que Grace foi vista num ponto de táxi e pegou um veículo para a Rodoviária. Ela deve ter ido para muito longe.
_ Meu Deus ! _ Giselle se afligiu._ como vou dizer isso para os pais dela.
_ Sei que isso aflige não só os pais dela mas a você e a nós que a conhecemos e se solidariza com as pessoas. Por isso que eu vim aqui, Giselle, eu sabia que você estava precisando de alguém, de um amigo ao seu lado no mínimo.
Num impulso, Giselle abraça Zeca e fala:
_ Obrigado amigo. Eu estava aqui atormentada.
Mas só Giselle sabia do que estava falando.
_ Giselle olha – Zeca envolveu seus braços nas costas dela. Giselle ficou um pouco constrangida e tentou se desvelenciar dele.
_ Zeca a porta ta aberta deixa eu ir lá fechar.
_Só um momento Giselle. Olha pra mim.

Daniel já havia encontrado o endereço de Giselle e como era um prédio que não tinha porteiro, de posse do número do apartamento ele decidiu subir até ao corredor e ir ao encontro dela. Ia falar tudo para ela tudo o que mais desejava falar e inda mais agora naqueles momentos em que ela estava fragilizada.
Por um momento ficou pensando antes de subir as escadas o que ia falar com ela, como conseguiu o endereço e seu motivo de estar ali. Mas decidiu subir as escadas enquanto pensava no que ia dizer.
Giselle se viu nos braços de Zeca e por um momento as lembranças do passado veio á sua mente ferida.
_Zeca por favor, não é hora disso. Porque isso agora ?
_ Porque eu ainda gosto de você Giselle e eu não podia deixar passar esses momentos sem te dizer isso inda mais numa hora como essas. Você é uma pessoa que se preocupa com as pessoas, que se abnega até de seu trabalho pela causa que você ta abraçando. Eu é que não soube reconhecer a pessoas maravilhosa que você é. Por favor, me perdoa.
Me perdoa e vamos recomeçar tudo de novo.
_Zeca, por favor, me larga. _ ao mesmo tempo ela queria subitamente que Zeca a abraçasse ainda mais, pois tudo que ela queria era um abraço. Mas na falta de Daniel o que ela já estava desejando já era o suficiente. Faz de contas que estava nos braços de seu novo amor.
_Zeca!!! _ Giselle encostou sua cabeça no ombro de Zeca. Estava fragilizada e carente e um tanto confusa naquele momento. Zeca, por sua vez entendendo que ela estaria correspondendo segura o rosto dela e olha mais uma vez para ela profundamente num misto de expectativa e esperança.

Daniel já está no corredor do apartamento de Giselle e com o papel na mão e confere o numero e olha para a porta indicada.
Por um momento, ele pensou vendo aquela porta entreaberta que Giselle deveria estar com um de seus amigos já que todos estavam mobilizados por Grace e seu apartamento virou praticamente um quartel general de informações. Caminhou até a porta para bater.

Zeca olha para Giselle desesperadamente e Giselle olha para Zeca confusa pelo momento, mas carente. Por um momento pensa no rosto de Daniel e as mãos dele percorrendo suas costas de novo como naquela vez lá no escritório em que a abraçou e a beijou ousadamente.
E Zeca aproxima os seus lábios no dela a abraçando ainda mais. Ela por um momento se entrega para ele naquele momento de carência e pensa em Daniel e em seus lábios quentes que era de Zeca. Se entrega aos beijos dele.
Daniel viu que não tinha sentido bater na porta já que estava entreaberta e achou que Giselle não ia ficar tão assustada já que os dois trabalham na mesma empresa. E seria naquela noite que ele iria fazer cair a última fronteira do coração de Giselle.
Mas quando ele abriu a porta devagarzinho e olhou aquele casal no meio da sala abraçados no meio da sala e aos beijos, mal ele pôde acreditar vendo Giselle aos beijos com outro cara.
Seus olhos se apertaram e seu coração disparou e suas mãos tremularam segurando a maçaneta da porta entreaberta vendo aquela cena decepcionante.
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